



Olho
ГЛАЗ
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• •
Держать в поле зрения
Transcrição fonética (AFI):
/dʲɪrˈʐatʲ v ˈpolʲɪ ˈzrʲenʲɪjə/
Tradução literal:
“Manter no campo de visão.”
Equivalente funcional em português:
“Manter sob observação”; “Manter sob controle”; “Manter debaixo do olho” (registro mais coloquial).
Explicação semântica:
Designa a ação de acompanhar, supervisionar ou monitorar algo ou alguém de maneira contínua, mantendo controle perceptivo e avaliativo sobre sua evolução.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza a visão como instrumento de vigilância e controle. O “campo de visão” representa espaço cognitivo de monitoramento. O olho funciona como símbolo de atenção consciente, responsabilidade e acompanhamento sistemático.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência semântica com “manter sob observação” e “manter debaixo do olho”. Entretanto, o português tende a utilizar formas mais coloquiais no cotidiano, enquanto o russo emprega a expressão com frequência em contextos institucionais. A correspondência é funcional, mas não totalmente imagética quando se usa “sob controle”.
Exemplo de uso:
Руководитель держит в поле зрения работу отдела.
Tradução:
O gestor mantém sob observação o trabalho do departamento.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-baixo. Combinação lexical estável de base metafórica, semanticamente transparente.
Registro: Neutro a formal; frequente em contextos administrativos, profissionais e institucionais.
Comportamento morfológico: Verbo imperfeito flexionável (держать); admite variação aspectual (держать / удерживать).
Estrutura relativamente estável: V + prep. + SN (prep.). Permite substituição do complemento nominal.
Fonte:
Telia (2017); Rocha (2019), p. 211.
Не сводить глаз (с кого-либо / с чего-либо)
Transcrição fonética (AFI):
/nʲɪ svɐˈdʲitʲ ɡlas/
Tradução literal:
“Não retirar os olhos (de).”
Equivalente funcional em português:
“Não tirar os olhos de.”
Grau de idiomaticidade:
Alto. Unidade fraseológica estável com verbo imperfeito e negação obrigatória; apresenta valor metafórico convencionalizado.
Registro:
Neutro; aplicável tanto em contextos cotidianos quanto literários.
Comportamento morfológico:
Estrutura fixa com negação (не + сводить). O verbo ocorre predominantemente no aspecto imperfeito; admite flexão verbal. Exige complemento com a preposição с (genitivo).
Explicação semântica:
Indica atenção visual contínua e concentrada sobre alguém ou algo. Pode expressar vigilância, cuidado, admiração, fascínio ou interesse intenso, dependendo do contexto discursivo.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza o olhar como fio contínuo de ligação entre o observador e o objeto observado. “Não retirar os olhos” simboliza manutenção de foco perceptivo e envolvimento cognitivo ou emocional. O olho funciona como marcador de atenção sustentada e, em determinados contextos, de afeto ou desejo.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência semântica e estrutural praticamente total com o português “não tirar os olhos de”. Ambas as línguas preservam a mesma imagem corporal e o mesmo mecanismo metafórico.
Exemplo de uso:
Мать не сводила глаз с ребёнка.
Tradução:
A mãe não tirava os olhos do filho.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto. Unidade fraseológica estável com verbo imperfeito e negação obrigatória; apresenta valor metafórico convencionalizado.
Registro: Neutro; aplicável tanto em contextos cotidianos quanto literários.
Comportamento morfológico: Estrutura fixa com negação (не + сводить). O verbo ocorre predominantemente no aspecto imperfeito; admite flexão verbal. Exige complemento com a preposição с (genitivo).
Fonte:
Telia (2017); Houaiss (2015), p. 1032.
Сглазить
Transcrição fonética (AFI):
/ˈzɡlazʲɪtʲ/
Tradução literal:
“Lançar o mau-olhado”; literalmente “afetar com o olhar”.
Equivalente funcional em português:
“Dar mau-olhado”; “Botar olho gordo” (variante coloquial brasileira).
Explicação cultural e cognitiva:
A expressão está profundamente enraizada na tradição popular eslava e associa-se à crença no poder performativo do olhar. O olho é conceptualizado como veículo de energia e influência sobre o destino alheio. A metáfora subjacente é “OLHAR É AGIR” ou “OLHAR É INFLUÊNCIA”. O campo semântico envolve inveja, vulnerabilidade e proteção espiritual.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência semântica com “dar mau-olhado”. Contudo, no russo a expressão apresenta maior vitalidade discursiva e frequência no uso cotidiano. No português brasileiro, seu emprego tende a concentrar-se em contextos supersticiosos ou culturais específicos, com menor circulação em registros neutros ou formais.
Explicação semântica:
Designa o ato de causar infortúnio, azar ou dano simbólico a alguém por meio de um olhar invejoso ou carregado de energia negativa. Pode ocorrer tanto em sentido literal (crença supersticiosa) quanto metafórico (elogiar excessivamente e “estragar” algo).
Exemplo de uso:
Бабушка боялась сглазить внука.
Tradução:
A avó temia dar mau-olhado no neto.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto. Unidade lexical fraseologizada com forte carga cultural e simbólica.
Registro: Neutro a coloquial; amplamente utilizada na linguagem cotidiana, inclusive em contextos familiares.
Comportamento morfológico: Verbo perfectivo (сглазить); forma imperfeita correlata: сглаживать (uso menos frequente). Estrutura verbal simples com objeto direto (acusativo).
Fonte:
Telia (2017); Houaiss (2015), p. 2077.
Бросать косые взгляды (на кого-либо)
Transcrição fonética (AFI):
/brɐˈsatʲ kɐˈsɨje vzˈɡlʲadɨ/
Tradução literal:
“Lançar olhares oblíquos.”
Equivalente funcional em português:
“Olhar de soslaio”; “Olhar de canto de olho.”
Explicação semântica:
Designa o ato de observar alguém de maneira indireta, com desconfiança, reprovação, inveja ou julgamento implícito. O olhar não é frontal, mas lateral, sugerindo atitude crítica ou reserva emocional.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza a direção do olhar como indicador de atitude social. O “olhar oblíquo” simboliza julgamento encoberto, crítica não verbal e avaliação silenciosa. O olho funciona como instrumento de comunicação implícita e mecanismo de regulação social. A obliquidade espacial do olhar corresponde à indireção pragmática da atitude.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência semântica e imagética com “olhar de soslaio” e “olhar de canto de olho”. Ambas as línguas preservam a metáfora espacial da lateralidade como marcador de desconfiança ou desaprovação. A correspondência é alta tanto no plano estrutural quanto no cognitivo.
Exemplo de uso:
Он бросал косые взгляды на соседа.
Tradução:
Ele olhava de canto de olho para o vizinho.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto. Combinação fraseológica estável com valor metafórico convencionalizado.
Registro: Neutro; frequente em narrativas literárias e em descrições comportamentais.
Comportamento morfológico: Verbo imperfeito flexionável (бросать); admite forma perfectiva (бросить). Estrutura relativamente estável: V + adj. + SN (acus.) + complemento com на (acus.).
Fonte:
Telia (2017); Rocha (2019), p. 145.
Во все глаза смотреть
Transcrição fonética (AFI):
/vɐ fsʲe ɡlɐˈza smɐˈtrʲetʲ/
Tradução literal:
“Olhar com todos os olhos.”
Equivalente funcional em português:
“Olhar com atenção redobrada”; “Olhar com os olhos bem abertos”; “Olhar atentamente.”
Explicação semântica:
Indica atenção visual máxima e concentração intensa diante de algo que desperta interesse, curiosidade ou necessidade de vigilância.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora baseia-se na amplificação simbólica do órgão visual. A ideia de “todos os olhos” intensifica a capacidade perceptiva, conceptualizando a visão como mecanismo de absorção total da informação. O olho funciona como símbolo de foco, vigilância e envolvimento cognitivo. Trata-se de metáfora quantitativa que reforça intensidade perceptiva.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência funcional com expressões portuguesas que indicam atenção intensificada, embora o português não preserve exatamente a mesma estrutura quantitativa (“todos os olhos”). A correspondência é semântica, mas não totalmente imagética.
Exemplo de uso:
Дети во все глаза смотрели на фокусника.
Tradução:
As crianças olhavam com atenção redobrada para o mágico.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto. Unidade fraseológica estável com metáfora quantitativa intensificadora.
Registro: Neutro; frequente tanto na linguagem cotidiana quanto literária.
Comportamento morfológico: Verbo imperfeito flexionável (смотреть); estrutura relativamente fixa com intensificador quantitativo (во все глаза). Pode sofrer flexão verbal sem alterar o núcleo metafórico.
Fonte:
Telia (2017); Urbano (2018).
Глаз да глаз нужен
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlas da ɡlas ˈnuʐɨn/
Tradução literal:
“Olho e mais olho é necessário.”
Equivalente funcional em português:
“Olho vivo”; “É preciso ficar de olho”; “Manter vigilância constante.”
Explicação semântica:
Indica necessidade de vigilância constante, supervisão rigorosa e atenção permanente diante de situações que envolvem risco, responsabilidade ou possibilidade de erro.
Explicação cultural e cognitiva:
A repetição lexical (глаз да глаз) intensifica a noção de atenção redobrada. O olho é conceptualizado como instrumento de controle e prevenção. A metáfora associa visão a responsabilidade, disciplina e cuidado contínuo. Trata-se de intensificação enfática por duplicação, recurso frequente na fraseologia russa.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência funcional com “olho vivo” e “ficar de olho”. Contudo, o português tende a empregar formas mais coloquiais, enquanto o russo preserva estrutura proverbial mais marcada. A correspondência é semântica, mas parcialmente distinta no plano formal.
Exemplo de uso:
На стройке глаз да глаз нужен, чтобы избежать аварий.
Tradução:
Na construção, é preciso manter olho vivo para evitar acidentes.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto. Unidade fraseológica cristalizada com estrutura fixa e valor metafórico consolidado.
Registro: Neutro; pode ocorrer tanto em contextos cotidianos quanto profissionais.
Comportamento morfológico: Estrutura sintática fixa; admite variações mínimas de concordância verbal (ex.: нужен / нужна dependendo do referente implícito). O paralelismo “X да X” funciona como intensificador enfático.
Fonte:
Telia (2017); Urbano (2018).
Хранить как зеницу ока
Transcrição fonética (AFI):
/xrɐˈnʲitʲ kak zʲɪˈnʲitsʊ ˈokə/
Tradução literal:
“Guardar como a pupila do olho.”
Equivalente funcional em português:
“Guardar como a menina dos olhos.”
Explicação semântica:
Designa o ato de proteger algo com extremo cuidado, zelo e dedicação, atribuindo-lhe valor inestimável. Pode referir-se a objetos materiais, pessoas, segredos ou princípios.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora fundamenta-se na importância vital da pupila (зеница) como centro da visão e parte extremamente sensível do olho. O olho é conceptualizado como órgão essencial à existência; proteger a pupila simboliza preservar o que é mais precioso. A expressão tem raízes bíblicas (Salmos 17:8; Deuteronômio 32:10), o que explica sua difusão tanto no russo quanto no português. Trata-se de metáfora universal baseada na vulnerabilidade física como símbolo de valor afetivo e moral.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência quase total semântica, estrutural e imagética com “guardar como a menina dos olhos”. Ambas as línguas compartilham a mesma base bíblica e a mesma imagem corporal, configurando correspondência metafórica plena.
Exemplo de uso:
Он хранил секрет как зеницу ока.
Tradução:
Ele guardava o segredo como a menina dos olhos.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto. Unidade fraseológica plenamente cristalizada, de origem bíblica e proverbial.
Registro: Neutro a formal; frequente em textos literários, discursos formais e linguagem valorativa.
Comportamento morfológico: Verbo imperfeito flexionável (хранить); estrutura estável com comparativo fixo (как зеницу ока). O núcleo comparativo não admite substituição lexical sem perda do valor fraseológico.
Fonte:
Telia (2017); Urbano (2018), p. 220.
Смотреть во все глаза
Transcrição fonética (AFI):
/smɐˈtrʲetʲ vɐ fsʲe ɡlɐˈza/
Tradução literal:
“Olhar com todos os olhos.”
Equivalente funcional em português:
“Olhar atentamente”; “Observar cuidadosamente”; “Olhar com os olhos bem abertos.”
Explicação semântica:
Indica atenção visual intensa, concentração máxima e envolvimento perceptivo total diante de algo que desperta interesse, surpresa ou necessidade de vigilância.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza a percepção como amplificação sensorial. A expressão “todos os olhos” intensifica simbolicamente a capacidade de ver, sugerindo imersão e absorção completa da experiência visual. O olho funciona como instrumento de foco e participação cognitiva ativa.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência funcional com “olhar atentamente” e “observar cuidadosamente”. Contudo, o português tende a recorrer a construções menos imagéticas e mais descritivas, enquanto o russo preserva a intensificação metafórica quantitativa. A correspondência é semântica, mas parcialmente distinta no plano formal e imagético.
Exemplo de uso:
Туристы смотрели во все глаза на достопримечательности.
Tradução:
Os turistas observavam atentamente as atrações turísticas.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto. Unidade fraseológica estável baseada em intensificação quantitativa metafórica.
Registro: Neutro; frequente na linguagem narrativa e descritiva.
Comportamento morfológico: Verbo imperfeito flexionável (смотреть). Estrutura relativamente fixa com intensificador (во все глаза). Pode variar apenas na flexão verbal sem comprometer o valor fraseológico.
Fonte:
Telia (2017); Urbano (2018), p. 122.
Положить глаз на (кого-либо / что-либо)
Transcrição fonética (AFI):
/pəlɐˈʐɨtʲ ɡlas na/
Tradução literal:
“Colocar o olho em.”
Equivalente funcional em português:
“Pôr o olho em”; “Ficar de olho em”; “Estar de olho em.”
Explicação semântica:
Expressa interesse direcionado, desejo ou intenção de obter algo. Pode indicar cobiça, ambição ou simples atração por determinado objeto ou pessoa.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza o olhar como primeiro passo da apropriação simbólica. “Colocar o olho” representa direcionamento intencional da atenção, avaliação estratégica e possível desejo de posse. O olho funciona como mediador entre percepção e intenção.
Equivalência interlinguística:
Há correspondência quase direta com “pôr o olho em”. Ambas as línguas preservam a mesma imagem corporal e estrutura metafórica. No português brasileiro, o uso tende a ser mais coloquial e flexível, enquanto no russo mantém tom levemente mais objetivo e narrativo.
Exemplo de uso:
Он положил глаз на новую машину соседа.
Tradução:
Ele pôs o olho no carro novo do vizinho.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto. Unidade fraseológica estável com valor metafórico consolidado.
Registro: Neutro a coloquial; frequente na linguagem cotidiana e narrativa.
Comportamento morfológico: Verbo perfectivo (положить); forma correlata imperfeita: класть глаз на (menos frequente). Estrutura fixa: V + SN (acus.) + prep. на (acus.).
Fonte:
Telia (2017); Rocha (2019), p. 217.
Глаз наметан
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlas nɐˈmʲetən/
Tradução literal:
“Olho treinado” (literalmente: “olho acostumado / praticado”).
Equivalente funcional em português:
“Olho treinado”; “Olho clínico.”
Explicação semântica:
Designa a capacidade de perceber rapidamente detalhes, nuances ou irregularidades graças à experiência acumulada. Expressa discernimento visual especializado.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza o olho como instrumento de expertise adquirida. A percepção não é apenas fisiológica, mas resultado de prática e familiaridade. O olhar torna-se símbolo de competência, sensibilidade técnica e autoridade profissional.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência semântica elevada com “olho treinado” e “olho clínico”. Ambas as línguas associam o órgão da visão à competência especializada. A correspondência é forte tanto no plano cognitivo quanto pragmático.
Exemplo de uso:
У художника глаз наметан на детали.
Tradução:
O artista tem olho treinado para os detalhes.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto. Unidade fraseológica estável com predicativo fixo e valor metafórico convencionalizado.
Registro: Neutro; frequente em contextos profissionais, artísticos e técnicos.
Comportamento morfológico: Estrutura predicativa fixa (глаз наметан). Pode ocorrer com verbo copulativo explícito ou implícito (у кого-то глаз наметан). Não admite substituição lexical do núcleo sem perda do valor fraseológico.
Fonte:
Telia (2017); Houaiss (2015), p. 1035.
Глаз не сомкнуть
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlas nʲɪ sɐmˈknutʲ/
Tradução literal:
“Não fechar o olho.”
Equivalente funcional em português:
“Não pregar o olho.”
Explicação semântica:
Indica impossibilidade de dormir ou descansar, geralmente devido a preocupação, ansiedade, medo ou excitação emocional.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora conceptualiza o fechamento dos olhos como condição necessária para o sono. “Não fechar o olho” simboliza estado prolongado de vigília e tensão emocional. O olho funciona como marcador da fronteira entre descanso e alerta, associando percepção sensorial a estados psicológicos.
Equivalência interlinguística:
Há equivalência semântica quase total com “não pregar o olho”. Embora o português utilize o verbo “pregar”, a imagem corporal permanece semelhante: a impossibilidade de fechar os olhos como sinal de insônia e preocupação. A correspondência é alta tanto no plano semântico quanto pragmático.
Exemplo de uso:
В ночь перед экзаменом он глаз не сомкнул.
Tradução:
Na noite antes do exame, ele não pregou o olho.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto. Unidade fraseológica cristalizada com estrutura negativa fixa e valor metafórico consolidado.
Registro: Neutro; frequente na linguagem cotidiana e narrativa.
Comportamento morfológico: Estrutura fixa com negação obrigatória (глаз не сомкнуть). O verbo ocorre predominantemente no perfectivo (сомкнуть), indicando impossibilidade de realizar a ação de fechar os olhos. Pode aparecer em variações temporais (не сомкнул, не сомкну).
Fonte:
Telia (2017); Rocha (2019), p. 220.
Глаз замылился
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlas zɐˈmɨlʲɪlsʲə/
Tradução literal:
“O olho ficou ensaboado.”
Equivalente funcional em português:
“Perder o olhar crítico”; “Acostumar-se e deixar de perceber”; “O olhar ficou viciado.”
Explicação semântica:
Indica perda de capacidade de perceber erros, falhas ou detalhes devido à familiaridade excessiva ou repetição prolongada.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora associa o ato de “ensaboar” à perda de nitidez visual. O olho deixa de distinguir claramente. Conceptualmente, a percepção é entendida como instrumento que pode se desgastar pelo hábito. O olho simboliza discernimento crítico que pode se enfraquecer.
Exemplo de uso:
У редактора глаз замылился после долгой работы над текстом.
Tradução:
O editor perdeu o olhar crítico após longo trabalho no texto.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto. Unidade fraseológica cristalizada com metáfora opaca parcialmente lexicalizada.
Registro: Neutro; frequente em contextos profissionais, artísticos e técnicos.
Comportamento morfológico: Verbo reflexivo perfectivo (замылиться); geralmente ocorre na 3ª pessoa. Estrutura estável com sujeito implícito experienciador (у кого-то глаз замылился).
Fonte:
Telia (2017).
Глаз на ладони
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlas nɐ lɐˈdonʲɪ/
Tradução literal:
“Olho na palma da mão.”
Equivalente funcional em português:
“Estar com os olhos bem abertos.”
Explicação semântica:
Indica vigilância intensa, percepção constante ou capacidade de ver tudo com clareza. Pode também sugerir transparência total das ações, quando associado ao contexto discursivo.
Explicação cultural e cognitiva:
A imagem do “olho na palma da mão” projeta a visão para um ponto externo e visível, simbolizando controle e supervisão permanente. O olho representa percepção absoluta, enquanto a palma da mão, espaço aberto e exposto, reforça a ideia de visibilidade plena. No português, a expressão “estar com os olhos bem abertos” mantém o campo metafórico da vigilância, embora com menor carga imagética e menor grau de concretude corporal.
Exemplo de uso:
У начальника глаз на ладони – всё видно.
Tradução:
O chefe está com os olhos bem abertos – tudo é visível.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio.
Registro: Neutro a expressivo; mais frequente em contextos coloquiais ou descritivos.
Comportamento morfológico: Estrutura nominal fixa; ocorre geralmente em construções existenciais ou possessivas, como у кого-то глаз на ладони.
Fonte:
Telia (2017); Urbano (2018), p. 133.
Глазом моргнуть
Transcrição fonética (AFI):
/ˈɡlazəm mɐrˈɡnutʲ/
Tradução literal:
“Piscar o olho.”
Equivalente funcional em português:
“Fechar os olhos.”
Explicação semântica:
Indica permissão tácita, conivência discreta ou sinal silencioso de entendimento. Pode também expressar ausência de reação diante de determinada situação.
Explicação cultural e cognitiva:
O gesto mínimo de piscar é conceptualizado como forma de comunicação implícita. O olho simboliza percepção e consciência situacional; ao “piscar”, sugere-se suspensão momentânea da vigilância ou consentimento não verbal. No português, “fechar os olhos” reforça a metáfora da escolha deliberada de não ver como forma de anuência simbólica.
Exemplo de uso:
Учитель глазом моргнул, разрешая списать.
Tradução:
O professor fechou os olhos, permitindo que copiassem.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto.
Registro: Neutro a coloquial.
Comportamento morfológico: Verbo perfectivo (моргнуть); ocorre frequentemente na forma negativa intensificadora (и глазом не моргнуть).
Fonte:
Telia (2017); Rocha (2019), p. 236.
Глаза загорелись
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlɐˈza zəɡɐˈrʲelʲɪsʲ/
Tradução literal:
“Os olhos se acenderam.”
Equivalente funcional em português:
“Os olhos brilharam”; “Brilhar os olhos.”
Explicação semântica:
Expressa entusiasmo súbito, interesse intenso ou reação emocional imediata diante de algo desejado ou admirado.
Explicação cultural e cognitiva:
A metáfora associa o brilho ocular ao fogo, conceptualizando a emoção como chama interna que se manifesta externamente pelo olhar. O olho funciona como indicador visível do estado afetivo. Em português, preserva-se a mesma base imagética, evidenciando convergência metafórica entre as culturas.
Exemplo de uso:
У ребёнка глаза загорелись при виде игрушки.
Tradução:
Os olhos da criança brilharam ao ver o brinquedo.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio.
Registro: Neutro; frequente em narrativas literárias e na oralidade.
Comportamento morfológico: Verbo reflexivo perfectivo (загореться); ocorre geralmente no plural (глаза загорелись).va.
Fonte:
Telia (2017); Houaiss (2015), p. 1045.
С глаз долой
Transcrição fonética (AFI):
/z ɡlaz dɐˈloj/
Tradução literal:
“Dos olhos, para longe.”
Equivalente funcional em português:
“Longe dos olhos, longe do coração.”
Explicação semântica:
Indica que algo deixa de ser lembrado, monitorado ou valorizado quando não está visível.
Explicação cultural e cognitiva:
A ausência de percepção visual é conceptualizada como ausência de atenção ou memória. O olho simboliza controle e relevância. No português, a equivalência acrescenta dimensão afetiva explícita (“coração”), enquanto o russo enfatiza a dimensão perceptiva imediata.
Exemplo de uso:
Игрушка с глаз долой, и ребёнок о ней забыл.
Tradução:
O brinquedo ficou fora da vista, e a criança esqueceu dele.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Alto.
Registro: Neutro; frequentemente proverbial.
Comportamento morfológico: Estrutura fixa preposicional; geralmente integra o provérbio completo с глаз долой — из сердца вон.
Fonte:
Telia (2017); Urbano (2018), p. 137.
Не верить своим глазам
Transcrição fonética (AFI):
/nʲe ˈvʲerʲɪtʲ svɐˈim ɡlɐˈzam/
Tradução literal:
“Não acreditar nos próprios olhos.”
Equivalente funcional em português:
“Não acredito no que vi.”
Explicação semântica:
Indica surpresa intensa, espanto ou incredulidade diante de algo inesperado ou extraordinário.
Explicação cultural e cognitiva:
O olho simboliza percepção direta e evidência empírica. A impossibilidade de “acreditar nos próprios olhos” revela ruptura entre expectativa e realidade percebida. A metáfora associa visão a certeza cognitiva; quando essa certeza falha, instala-se o espanto. Em russo e em português, há equivalência quase total, evidenciando convergência cultural na conceptualização da visão como fundamento da crença.
Exemplo de uso:
Я не верил своим глазам, увидев подарок.
Tradução:
Não acreditei nos meus olhos ao ver o presente.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto.
Registro: Neutro; frequente na oralidade e na narrativa literária.
Comportamento morfológico: Verbo imperfectivo (верить); construção fixa com dativo plural (своим глазам).
Fonte:
Telia (2017, p. 157); Houaiss (2015), p. 1047.
Глаз положить на что-либо
Transcrição fonética (AFI):
/ɡlas pəlɐˈʐɨtʲ na ˈʂto lʲɪbə/
Tradução literal:
“Colocar o olho sobre algo.”
Equivalente funcional em português:
“Estar de olho em algo.”
Explicação semântica:
Expressa interesse direcionado, intenção de possuir ou foco estratégico sobre determinado objeto ou recurso.
Explicação cultural e cognitiva:
O olhar é conceptualizado como etapa inicial da apropriação simbólica. Ver implica avaliar, selecionar e potencialmente desejar. O olho representa concentração e intenção deliberada. No português, “estar de olho em” mantém a metáfora da atenção direcionada, embora com maior coloquialidade; no russo, a expressão tende a enfatizar a observação concreta e o interesse específico.
Exemplo de uso:
Он глаз положил на новую квартиру.
Tradução:
Ele está de olho no novo apartamento.




Outras informações:
Grau de idiomaticidade: Médio-alto.
Registro: Neutro a coloquial.
Comportamento morfológico: Verbo perfectivo (положить); estrutura fixa com complemento em на + acusativo.
Fonte:
Telia (2017, p. 159); Urbano (2018), p. 144.